Escrito por porthunt

Por que Mirai Nikki (não) está caro?

Muito se ouviu falar esses dias sobre “o abominável preço” de Diário do Futuro no Brasil: R$13,90. Mas esse valor é mesmo algo caro? O que pode influenciar tanto no preço? Bom, para começar, deixa eu dizer primeiramente do que se trata Diário do Futuro – Mirai Nikki.

O mangá, que recebeu uma animação no ano passado, conta a história de Yukiteru. Ele recebe um diário que conta o futuro e o desafio de acabar com outras 11 pessoas para se tornar “O Deus do Novo Mundo.” É um mangá com uma pegada um pouco mais adulta, mas que não acaba mudando muito de público comparado aos outros mangás famosos no país.

Voltando ao assunto do preço, basicamente duas coisas encareceram o produto: o tratamento recebido e os custos de licença.

Custos de licença

Para publicar um mangá por aqui, a empresa precisa adquirir primeiramente os direitos para isso. Basicamente ela precisa comprar isso da editora japonesa, para receber o aval e poder publicar o material aqui. O problema é que os direitos não custam sempre a mesma coisa, um mangá de 1990 não tem o mesmo custo de licença que um mangá de 2006 e que teve um relativo sucesso.

Mirai Nikki está custando o mesmo preço de Rurouni Kenshin, mas a JBC já possui todo o material deste último, o que já faz com que o produto não fique mais caro.

Óbvio que o custo de licença para publicação é um fator muito importante também para o preço, mas o enforque principal do post é…

Tratamento da JBC

Já foi-se o tempo onde os mangás no Brasil se resumiam a mangás com folhas que descolavam, folha amarelada, meio tankobon e com dobras no meio. Hoje em dia o mercado anda, cada dia um pouco mais, melhorando e trazendo cada vez mais qualidade nos mangás. Com isso, é claro que vieram os aumentos de preço, mas vejamos:

Pegando Yu Yu Hakusho como exemplo (da mesma editora), podemos ver que o preço é de 4,90. Sendo que 2 meio-tankos completam o volume, o preço “por volume” é de R$9.80, mas com os problemas que já citei anteriormente.

Olhando para Diário do Futuro, vemos que as empresas passaram a adotar o modelo de tankobon completo, a se importar mais com a capa e aos poucos com o papel utilizado. Decidi desmembrar esta parte do post em 4 partes, comparando nossos mangás com mangás americanos e japoneses.

Capa

Busou Renkin japonês x Diário do Futuro x Yakitate Japan americano.

Aqui estão as capas de três mangás de nacionalidades diferentes. Busou Renkin, nosso Diário do Futuro e Yakitate Japan americano. Sobre as capas só consigo dizer que de longe a brasileira entre as três é a mais bem feita. A laminação fosca que a JBC escolheu realmente da um toque especial ao produto, comparando à capa mole da versão americana e à versão japonesa que possui a conhecida “segunda capa” em seus mangás. Um pequeno detalhe, mas que me agradou bastante também foi terem adaptado o logo da JBC à capa, deixando-o todo preto para combinar melhor com o fundo.

Agora vamos ao…

Interior

Nosso diário brasileiro.

Podemos ver claramente como tiveram todo o cuidado com o mangá: capa interna colorida, 4 páginas coloridas e em papel apropriado, prática que começou a ficar mais comum do último ano pra cá. Sem dúvida um ótimo trabalho, agora vejamos os outros dois mangás:

Busou Renkin japonês.

Vemos que é um mangá com um interior normal. Claro que existem alguns mangás sem páginas coloridas, mas basicamente esse é o interior do mangá japonês.

Yakitate Japan, americano.

Chegamos ao real “adversário” de Diário do Futuro nesse post. O mangá americano não apresenta cuidados com o interior, até mesmo colocando anúncios no interior da mesma. Não atrapalha na leitura, mas acaba sendo esteticamente feio.

No quesito “interior”, Diário do Futuro também acaba sendo o melhor entre os três, com um cuidado excepcional.

Mas muitos se perguntam, e o…

Papel

Bom, chegamos à parte mais discutida entre os leitores, o papel usado. Andamos vendo alguns mangás agora com folha offset (Rurouni Kenshin, Sakura) e eu me perguntava se a JBC acabaria usando ou não ela para este mangá. Acabou que ela escolheu usar o tradicional papel jornal. De fato é algo bem mais barato e de uma qualidade muito pior, mas uma boa notícia é que o papel jornal não é de tão má qualidade. Tem todo o cheiro de jornal, mas as folhas não são “leves” e fáceis de rasgar como o papel jornal que a gente já está mais familiarizado em mangás (e que até continua sendo usado hoje em dia, em Hitman, por exemplo).

O mangá americano também possui um papel parecido com papel jornal, mas uma qualidade talvez levemente superior ao brasileiro.

Mas no quesito páginas, ambos estão LONGE de ter a qualidade do papel japonês, não há como comparar nesse caso. No quesito papel, todos ainda precisam melhorar bastante (mas olhando para trás, já melhoramos e muito).

No último quesito…

Comparação de Preços

Como todos sabem, o preço de Mirai Nikki é de R$13,90:

R$13,90 = US$7 = ¥638.

É o preço discutido em questão. Mas agora vejamos os outros dois e tiremos as conclusões, o mangá de Mirai Nikki está ou não muito caro?

US$9,99 = ¥911 = R$20.

Podemos ver que o preço americano é BEM maior que o brasileiro, e a qualidade fica bem a desejar. R$20 por um mangá com folhas parecidas com as daqui, capa mole e interior da capa com anúncios. Tudo isso sem páginas coloridas.

Alguns já esperavam por isso, mas…

¥390 = R$8,50 = US$4,30.

Sim, o mangá no Japão é indiscutivelmente muito mais barato. E sim, a qualidade é ótima. Mas acaba sendo injusto comparar com o país que basicamente não tem custos de licença. O mangá já é deles. Fiz a comparação de preço dos três basicamente para terem a informação completa dos três.

Agora vamos partir para…

Conclusão Final

Não vim para falar aqui se você deve ou não comprar o mangá. Isso depende de n fatores. Você gosta do título? Você pode pagá-lo?

Claro que o preço anda cada vez maior, mas olhando pelo outro lado, a qualidade acompanha esse aumento, diferente de muitas outras coisas que vemos o preço aumentar e estão a mesma coisa que já eram.

Não pode comprar? É, menos um título pra sua coleção. O que precisa ser entendido é que o preço, pela qualidade que nos é dada, NÃO ESTÁ CARO. Pode apertar o bolso de alguns, mas isso é diferente do produto estar caro. Traçando um exemplo, se seu salário é de R$1000 e aparece um carro 0km sendo vendido a 15k, isso é caro? Não, não é caro, mas pode estar fora do seu poder aquisitivo no momento.

O que não podemos deixar acontecer é sacrificar a qualidade em busca de preços mais baratos, ou voltaremos a ter esse tipo de coisas:

4 ideias sobre “Por que Mirai Nikki (não) está caro?

  1. Leandro

    Existe coerência no que foi dito, mas as comparações não são totalmente fiéis ao que deveria ser. Foi comparado mangás lançados em diferentes épocas, no caso dos mangás americanos, japoneses e brasileiros. Então pra ser algo mais “justo” deveria comparar uma publicação das diversas nacionalidades lançadas em 2013, assim como o “Diário do Futuro”. Assim como as editoras nacionais estão evoluindo em qualidade, as estrangeiras também.

    O preço realmente não está caro, acho somente que o papel jornal utilizado poderia ter uma gramatura maior, pelo menos como é a dos mangás americanos em seus formatos normais (porque os “omnibus” tem uma gramatura parecida com o papel jornal das editoras brasileiras).

    Outro ponto é que U$9,99 é muito mais barato para um americano médio que R$13,90 para um brasileiro médio. Mas entendo o custo Brasil das coisas, tudo aqui é mais caro em todos os seguimentos, nos mangás não seria diferente.

    Mesmo assim, comprei “Diário do Futuro” da JBC e achei o preço “justo”, levando em conta – como eu disse anteriormente – o custo Brasil das coisas (logística, contrato, real desvalorizado, etc) e a qualidade do material (capa, impressão e páginas coloridas). Caro é, mas existem seus motivos.

    Resposta
  2. Naty

    Olá!!

    Seu link chamou a atenção no grupo Chá com Blog versão Otaku. E bem, concordo com você, o mangá não está caro. Está mais trabalhado e melhorado.

    Já vi gente reclamando do título ser em português, mais qual a diferença? Mirai Nikki é Diário do Futuro, e para quem não conhece, o título traduzido é uma mão na roda (como alguns jornaleiros que sequer sabem o que é mangá).

    Você podia ter comparado a Panini com a JBC. Em meados do ano passado, ambas as editoras aumentaram o valor de seus produtos, contudo, a JBC justificou os meios e foi algo visível à todos. Papel diferente, alguns mangás com páginas coloridas e novos títulos. A Panini aumentou o preço e nem sequer deu explicação para o fato.

    Pode ser, como você disse, que para alguém fique complicado comprar, pois tem n motivos, como já estar comprando outros títulos no momento e terem outra finalidade para o salário além de mangá!! xD

    Gostei do seu blog. Infelizmente falta o link seguir, mais tentarei acompanhar as postagens dele.

    Até mais!!

    Resposta
  3. Anderson Ricardo

    Ótimo post, porém a comparação foi um pouco injusta. Concordo com o 1º parágrafo do Leandro.

    Porém, você me convenceu que vale a pena comprar o mangá.
    Se eu encontrar Mirai Nikki na banca daqui da cidade, vou levar xD
    E se eu gostar da história, vou colecionar hasuhusahuashuas
    (Ai meu bolso xD)

    Resposta

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